O secretário de Estado de Agricultura Familiar Cássio Pereira, foi um dos convidados para apresentar o Programa Pecuária Sustentável do Governo do Pará, junto com a gerente de Rastreabilidade e Cadastro Agropecuário da Adepará, Barbra Lopes, no Encontro da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Pará (Fetragri), que reuniu representantes de sindicatos, associações, cooperativas e comunidades rurais de 29 municípios paraenses nesta sexta-feira (12), na sede regional da federação, em Capanema, nordeste do estado.
“O rastreamento sustentável do gado, hoje, assusta o agricultor porque eles acham que vão perder a oportunidade de avançar ou por ter já áreas degradadas no terreno, já empastadas. Então, eles têm aquele temor de ser multado pelo governo”, disse Rosinha Fonseca, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria do Pará, que representa 750 famílias, muitas delas com dúvidas sobre o programa e apresentou as questões durante o encontro.
Com base na dúvida dos agricultores, o secretário Cássio Pereira detalhou que o Programa Pecuária Sustentável se baseia em três componentes: rastreabilidade, integridade da pecuária, além do fortalecimento e agregação de valor. “O programa se propõe a estar junto com o agricultor, a ajudar, a não te tirar do mercado e, sim, ajudar a fazer a regularização ambiental do lote”, explicou o secretário. “Prevê um apoio para os produtores poderem produzir de uma forma melhor, que ele possa recuperar, que ele possa manejar a pastagem dele”, acrescentou.
Segundo o titular da Seaf, são mais de 70 mil agricultores familiares e pequenos produtores que criam rebanho bovino e bubalino de até 100 cabeças no estado. “Essas famílias são parceiras na missão de melhorar a produtividade pecuária com responsabilidade ambiental e social”, pontuou.
Brincagem
Um dos pilares do Programa Pecuária Sustentável, a rastreabilidade, passa pelo processo de brincagem, que é a implantação de brincos equipados com chip para armazenamento de informações e monitoramento eletrônico individual, realizado pelo Governo do Pará, por meio da Agência de Defesa Agropecuária (Adepará). Até o momento, são mais de 360 mil brincos implantados. O trabalho avança em diversas frentes para rastrear, até 2030, todo o rebanho paraense, estimado em 26 milhões de cabeças, o segundo maior do Brasil.
“Tem brinco gratuito para todos os agricultores e agricultoras familiares. O que precisa é que o produtor vá até a Adepará para requerer esse brinco. A gente tem garantido”, informou a gerente Rastreabilidade e Cadastro Agropecuário da Adepará, Barbra Lopes, que orientou aos agricultores interessados a comparecerem às agências da Adepará de suas regiões, para solicitar os brincos e mais orientações sobre o processo.
Martin Ewert, coordenador de Agricultura Familiar e Sistemas Regenerativos da TNC (The Nature Conservancy), organização parceira do programa, participou do encontro e explicou o porquê da atenção especial com a agricultura familiar. “Aqui a gente está falando de uma estratégia de produção de alimentos, de sobrevivência, de geração de renda, de melhoria de qualidade de vida da agricultura familiar. Mas, obviamente, tem a pecuária aqui, que é a nossa pauta central”, disse Martin.
O Representante da TNC frisou que a pecuária extensiva e de baixa produtividade é um dos principais vetores do desmatamento. “A gente teve essa caída de ficha, de onde a gente direcionou o recurso, a gente percebeu que a gente precisava trabalhar a melhoria da pecuária, a gente percebeu que precisava ter recurso específico para trabalhar engajamento e mobilização da agricultura familiar”, afirmou sobre o trabalho durante conversa com os agricultores presentes.
Ângela de Jesus Lopes, diretora do Instituto de Desenvolvimento de Agricultores e Agricultoras do Estado do Pará (IDESA), reforçou que os sindicatos, associações, cooperativas e representações dos trabalhadores são fundamentais para levar os conhecimentos adquiridos no encontro da Fetagri para as comunidades rurais nos municípios e para fortalecer a agricultura familiar. “Se não existisse cada liderança lá, em cada canto do quilombo, da aldeia, do PA (Projeto de Assentamento), lá do lote, isso não aconteceria”.