Responsáveis pela restauração produtiva e ambiental da área do Assentamento João Batista II, localizado em Castanhal, nordeste paraense, agricultores familiares assentados conheceram detalhes do Projeto Pecuária Sustentável durante uma visita técnica realizada da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) com a participação da Universidade Federal do Pará (UFPA), nesta quinta-feira (11).
Os trabalhadores rurais atuam com cultivo de frutas, verduras, legumes e criação de gado leiteiro, com pastagens consorciadas com árvores. “Dá para fazer junto, sem prejuízo ambiental. Porque essa ideia de que pastagem é só pasto de grama, isso já não existe mais. Isso é uma ideia ultrapassada”, explicou a professora do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares da UFPA Soraya Abreu de Carvalho, que já desenvolve projetos de pesquisa e assistência no assentamento e participou da reunião.
Anderson Serra, diretor de Comunidades Tradicionais e Organização Produtiva da Seaf, apresentou aos agricultores familiares o Projeto Pecuária Sustentável, desenvolvido pelo Governo do Estado, com objetivo de melhorar o rendimento produtivo e tornar a atividade mais sustentável. “Porque existe, ainda, uma marca ruim da pecuária paraense em relação a problemas de desmatamento, de ocupação ilegal, problemas socioambientais”, ressaltou Anderson.
O diretor destacou que essa situação afeta o meio ambiente e, também, o interesse do mercado consumidor, cada vez mais exigente de produtos que respeitem a floresta. “O governo criou o programa para resolver isso. Quem cria gado tem que se adequar a um conjunto de condicionantes sanitárias, ambientais, para poder continuar vendendo esse gado”, pontuou, durante a conversa com os trabalhadores, esclarecendo que a intenção é apoiar e orientar os criadores, para garantir o alcance desses condicionantes.
Rastreabilidade
Uma das medidas para demonstrar a segurança sanitária e ambiental da pecuária paraense apresentada pela Seaf aos agricultores assentados foi o processo de rastreabilidade, que identifica a origem e monitora individualmente os animais do rebanho. Atualmente, já são mais de 360 mil monitorados eletronicamente no Pará.
Alguns presentes, por falta de informações, ainda viam com desconfiança o processo, e puderam tirar dúvidas sobre como funciona, quais responsabilidades, benefícios e como aderir ao sistema.
“A gente também tem dificuldades, com o sistema do gado leiteiro”, comentou o agricultor familiar Igor da Silva, já que no assentamento, existe apenas pequenas criações para a produção de leite e queijo.
Práticas sustentáveis
Na visita técnica, Anderson e o técnico da Seaf Rafael Peniche, também viram de perto o trabalho desenvolvido pelo agricultor José Sângelo da Silva, que, junto com a esposa, cria galinhas, porcos, vacas leiteiras, além de cultivar bananas, muruci, entre outras frutas, e produzir queijos e iogurte.
Outra atividade conhecida de perto pela equipe da Seaf foi a do agricultor Júnior Amaral, que junto com a esposa e os dois filhos, cria 28 vacas e já tira todo o sustento da família da venda do leite, cerca de 90 litros por dia. “Mas a gente espera que, no próximo inverno, a nossa meta é de pelo menos 130, 140 litros por dia”, disse o agricultor, que há cerca de quatro meses, começou a vender o leite para uma empresa de laticínios e já conseguiu um resfriador, para preservar o produto por mais tempo. “A gente entrega e eles beneficiam e fazem esse cremosinho (um tipo de iogurte)”, contou.
A equipe da Seaf confirmou a continuidade do apoio ao assentamento, com nova visita a ser agendada para prestação de assistência técnica aos agricultores, de acordo com as necessidades identificadas e apresentadas na reunião desta quinta-feira, para garantir o melhor desenvolvimento das práticas produtivas.