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PREVENÇÃO DE PRAGA NA MANDIOCA

Oficina orienta produtores, técnicos e agricultores familiares sobre ‘vassoura de bruxa da mandioca’

Enviado por tania.menezes em

 

Maior produtor de farinha do Brasil e tendo a mandioca como base da agricultura familiar, o Pará realiza uma grande mobilização para proteger essa cultura de uma ameaça que é motivo de preocupação em todo o Brasil: a ‘vassoura de bruxa da mandioca’. Nesta sexta-feira (27), o monitoramento, prevenção e controle dessa praga foram assunto de uma oficina realizada para informar e orientar produtores, agricultores familiares, técnicos, prefeituras e organizações ambientais e de pesquisa em Bragança.

 

A programação técnica atraiu mais de 200 participantes de 25 municípios de todo o Pará interessados em conhecer para combater a praga, inclusive prefeitos de municípios produtores de mandioca, como o Dr. Mário Junior, prefeito de Bragança e José Braulio da Costa, gestor municipal de Tracuateua, que manifestou que se preocupa com a agressividade da praga.

 

Programação lotou auditório em Bragança, incluindo produtores, agricultores familiares e representantes de prefeituras - Foto: Seaf

 

“Eu pensei que vassoura de bruxa só dava em cacau. Nunca tinha ouvido falar que dava em mandioca. Nós não estávamos preocupados porque estava só no Amapá. Quando que ia chegar no estado do Pará?”, disse o prefeito José Braulio, e agora teve informação que a doença chegou ao território paraense cerca de um ano depois. “A maioria dos nossos produtores vive exclusivamente da produção da mandioca. E se a gente não tomar uma providência, vai ser um desastre para a economia da nossa região”, declarou.

 

Oficinas apresentou detalhes do que é a 'vassoura de bruxa da mandioca', como ela devasta a produção e as maneiras existentes de prevenir a praga - Foto: Seaf 

 

Organizado pelo Ministério Público do Pará (MPPA) e participação das secretarias de estado de Agricultura Familiar (Seaf) e de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), além da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), Ministério Público, Embrapa, Ministério da Agricultura e Pecuária, Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Pará (Fetagri-PA), entre outros órgãos, a programação é um esforço integrado para a prevenção e controle da vassoura de bruxa da mandioca que no Brasil tem casos confirmados no Amapá e chegou ao Pará em Almeirim, onde permanece sob estudo e controle.

 

Engenheiro Agrônomo Hermínio Rocha, da Embrapa/Bahia é especialista em 'vassoura de bruxa da mandioca' e destacou que a ação em Bragança foi a maior mobilização contra a praga, que já viu em todo o Brasil - Foto: Seaf 

 

“Essa é a maior mobilização que nós já vimos até agora, para fazer frente à essa doença”, parabenizou o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa que atua na Bahia e é considerado autoridade nos estudos da vassoura de bruxa da mandioca, Hermínio Rocha, que apresentou detalhes do que é a praga, os estudos e investimentos para combater o problema e proteger a cultura da mandioca.

 

“Defender a mandioca é defender a cultura do Pará, é defender os interesses sociais da agricultura familiar do Pará”, ressaltou o secretário de estado de Agricultura Familiar, Cássio Pereira. “Nós estamos aqui, o governo do estado está aqui presente, a Adepará, a Seaf, a Sedap. Nós viemos levar informação para a população do estado do Pará, nós estamos construindo uma relação com os produtores rurais, com os agricultores familiares, com os diferentes órgãos do governo federal, com o Ministério Público, mecanismos de convivência e um dos mecanismos principais é investir em políticas públicas para diversificar a produção nas zonas exclusivamente produtoras de mandioca”, acrescentou o secretário.

 

Imagem mostra três pessoas, dois homens e uma mulher, sentados à frente de auditório, um deles com microfone a falar para o público
Secretário Cássio Pereira destacou a presenção do Governo do Estado no evento e importância de defender a produção de mandioca, que é base da agricultura familiar do Pará - Foto: Seaf

 

A doença


Um fungo muito agressivo identificado como  Ceratobasidium theobromae, de origem asiática, é apontado como causa da vassoura de bruxa da mandioca e ameaça o desenvolvimento dessa cultura. Os primeiros sinais são folhas ressecadas, mas o fungo também atinge as raízes e afeta o crescimento. De acordo com Hermínio Rocha, o comprometimento e perdas nas plantações pode chegar a 100%.

 

Diante do risco de avanço da praga, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) decretou estado de emergência fitossanitária e mantém ações de prevenção e controle no Pará e no Amapá.

 

Imagem mostra mulher com microfone falando para o público, ela é branca, de cabelo liso e veste roupa preta
Promotora Ione Nakamura alertou da importância de uma ação conjunto para orientar os produtores e agricultores familiares a se defender da 'vassoura de bruxa' - Foto: Seaf

 

“Esses agricultores, produtores, eles precisam de orientação”, afirmou a promotora público Ione Nakamura, que reforçou que todos precisam fazer a sua parte para evitar que a praga se espalhe pelo Pará.

 

Ações de enfrentamento


O governo do Pará, por meio da Adepará já desenvolve ações educativas para orientar produtores e agricultores, além do treinamento de agentes de saúde e de endemias, que atuarão como multiplicadores de informações nas comunidades rurais. Para esse ano de 2026, também está em estudo a realização de uma Caravana de Educação Sanitária, reunindo técnicos de diferentes órgãos para ampliar o alcance das orientações.


 

Imagem mostra mulher ao microfone à frente de auditório, outra mulher ao fundo  e um telão na lateral de ambas
Thais Leão, fiscal da Adepará, destacou as ações do Governo do Pará para prevenir e enfrentar a vassoura de bruxa nos municípios - Foto: Seaf

 


Thais Leão, fiscal da Adepará e responsável pelo Programa Estadual da Vassoura de Bruxa da Mandioca destacou as ações em desenvolvimento que já alcançaram mais de 23,4 mil pessoas em 62 municípios paraenses e pediu a parceria dos produtores e agricultores para garantir o controle da praga e proteção da produção da mandioca. “Nós temos que cuidar da nossa agricultura. Nós temos que cuidar do que a gente produz. Se cada um fizer a sua parte a gente consegue”, reforçou