
Gestores públicos, trabalhadores rurais, pesquisadores e parceiros internacionais sentam juntos para discutir soluções para a transição climática no Fórum Internacional de Agricultura Familiar e Comunidades Tradicionais, aberto nesta quinta-feira (13) no espaço Agrizone, dentro da programação da Convenção-Quadro (COP 30), em Belém. O evento segue até o dia 17 de novembro com painéis temáticos sobre resiliência às emergências climáticas, sistemas agroflorestais, restauração, cadeias produtivas, sociobioeconomia e outros temas importantes para o setor.
Trabalhadores da agricultura familiar e comunidades tradicionais chegaram em caravanas de várias regiões paraenses para a abertura do fórum, que teve a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário Paulo Teixeira; do secretário de Estado da Agricultura Familiar Cássio Pereira; da secretária adjunta de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade Renata Nobre; de André Guimarães, diretor Executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental de Amazônia (IPAM) e enviado especial da COP 30 para a sociedade civil, além de Ana Euler, diretora Executiva de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa.
Estimados em cerca de 300 mil pessoas, os trabalhadores da agricultura familiar e comunidades tradicionais do Pará produzem aproximadamente 70% dos alimentos que abastecem ao estado, mas têm sofrido com os efeitos da crise climática, como a seca severa entre 2023 e 2024. A produção de mel da Cooperativa dos Trabalhadores Agroextrativistas do Oeste do Pará caiu de cerca de 2 mil quilos para 280 quilos em 2024. Segundo Manoel Edivaldo Santos, presidente da cooperativa que abriga 367 famílias de 32 comunidades da região, roçados morreram e muitas famílias perderam tudo e dependeram de benefícios governamentais.
“Com essa mudança do clima ficou tudo mudado. Antes a gente sabia quando era inverno e quando era verão e se preparava para isso, agora não”, informou Manoel Edivaldo, mais conhecido como Peixe. Com muito trabalho e apoio técnico, os trabalhadores conseguiram alcançar melhores resultados neste ano de 2025 e a expectativa é terminar o ano com a mesma média de produção dos anos antes da seca.
Suporte técnico e financeiro
O ministro do Desenvolvimento Agrário Paulo Teixeira e o secretário de Agricultura Familiar Cássio Pereira pontuaram ações, programas e projetos governamentais voltados para oferecer suporte aos trabalhadores da agricultura familiar.
“Nós já viabilizamos R$ 450 milhões a fundo perdido para financiar florestas produtivas aqui. Através do BNDES. O BNDES selecionou 80 assentamentos, 17 cooperativas que estão financiando florestas produtivas”, informou o ministro Paulo Teixeira, que destacou que a Caixa Econômica Federal vai disponibilizar R$ 50 milhões para atender florestas produtivas em assentamentos da reforma agrária, comunidades tradicionais e agricultura familiar.

Já o secretário de agricultura familiar, Cássio Pereira destacou ações do Governo do Pará, como o Plano Estadual de Agricultura Familiar e o Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), plataforma estratégica com foco na conservação florestal e na eficiência das cadeias produtivas, que estabelecem instrumentos de apoio, incentivo e suporte técnico a esses trabalhadores.
Busca por conhecimento
Francelino da Silva Oliveira, veio da comunidade Maracapuru, do interior de Manaus, no Amazonas para aprender sobre soluções climáticas para a agricultura familiar para levar para a comunidade de povos originários Catibiri, que está iniciando a plantação de banana, macaxeiras e mandiocas. “Nós estamos iniciando esse tipo de cultura lá. Eu espero enriquecer cada vez mais o meu aprendizado para poder levar para a nossa comunidade e também poder ver o que está dando certo”, contou Francelino.

Representantes de centenas de comunidades também apresentaram dúvidas e preocupações com a crise climática durante o fórum que teve ainda a conferência ‘Agricultura Familiar e Resiliência às Emergências Climáticas’, com Paulo Petersen, enviado Especial para Agricultura Familiar à COP30, membro do Núcleo Executivo da ANA (Articulação Nacional de Agroecologia).
Os painéis temáticos, mesas e plenárias do Fórum Internacional de Agricultura Familiar seguem até 17 de novembro, das 10h às 16h, com a participação de uma gama de especialistas e representantes das próprias comunidades rurais para trocas de experiências e discussões de ações para a prevenção, adaptação e soluções para questões ambientais, climáticas e sociais que afetam a agricultura familiar.
Também participaram da programação de abertura do fórum o vice-presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG) Marcos Nunes, o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (CONTRAF) Chico da Cib e Antonio Mauro Ferreira dos Santos, da coordenação estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará (MALUNGU/CONAQ)